quarta-feira, 5 de julho de 2006

De futebol falando...

Apetece-me falar sobre futebol... escrever, perdão, da nossa selecção, dos melhores lances do jogo de hoje, dos provocadores e mergulhadores que afinal estavam do outro lado do campo, do diz-que-disse-e-contou-que-foi, dessa coisa do fair play e da falta dele, dos árbitros e da inventada falta de visão destes, dos negócios (sem prisão preventiva) da FIFA, do que se joga fora das quatro linhas, dos grandes e dos pequenos, do patinho feio, do cantar ou não cantar o hino, de um país inteirinho que se esquece das amarguras da vida, de uns deputados que interrompem trabalhos, de um que joga mas que não devia jogar e de outro que fica no banco mesmo no dia de aniversário, de um apelidado frangueiro que afinal virou herói e que abandona a baliza porque acredita (é do Sporting, "mainada"!), do jornalismo que se tem praticado, das perguntas sem sal, dos jogadores que já falam melhor em público, dos seus conhecimentos de história de Portugal, blá, blá, blá...
Mas já não me apetece falar de futebol.
E pensar que eu tinha uma posta para aqui deixar mas que, por causa da máquina que teimou e não aceitou, não chegou a instalar-se. Pensando bem, foi melhor assim; é que as ditas linhas tocavam a música do acreditar.
Era mais ou menos assim:
Eu acredito.
(Eu que já quase não acredito em nada nem em ninguém. )
Força Portugal! Acreditar que os sonhos podem acontecer,
que os pequenos podem ser grandes (nem que seja pelo futebol).
Lutar até ao fim com garra, com força, com energia, com confiança.
Eu acredito.

(Ainda bem que não escrevi nada disto; agora estaria a orar ao santo dos arrependidos.)

Novidades

No prolongamento do post ali de baixo...
"Til I find somebody new"

Era uma vez uma rapariga...
Não tem muito tempo, aconteceu-me tomar um delicioso café da manhã. A convite do E., foi aqui que o tomei.
Depois de devorar aquelas letrinhas mais rapidamente que os cereais, iniciei dura investida na ânsia de chegar a esse tal "especialista coraçãozeiro", a essa oficina onde fosse possível realizar não uma inspecção periódica mas uma revisão anual ao meu coração com direito a desentupimento dos (d)esgo(s)tos, afinamento de peças, polimento de arestas, em suma, limpeza de toda aquela merda que por lá se tem acomodado.
Sem serviço de páginas amarelas, encontrar esse todo poderoso não foi tarefa fácil mas na blogosfera há sempre quem dê um empurrão... e zás, entre uma linha e outra, lá estava eu na marquesa.
A história contada assim pode não ser entendida mas também a quem é que interessará? O que importa nesta desconversa toda é que eu bem que poderia ser a rapariga do entorpecimento.
Tal com anunciei à blogosfera ontem, o sótão está arejado.
Levei o meu coração à oficina; entreguei-o aos cuidados do especialista. Andei sem ele. No seu lugar um vazio que se estendeu por longas ausências, que se fez em mil letrinhas. Está reparado*. Fui buscá-lo ontem e sinto-me outra porque também ele me parece outro (espero que continue forte para aguentar o que para aí vem).
Não vou dizer que está como novo porque isso seria uma hipérbole ou qualquer outra figura de estilo em jeito de se armar em engraçadinha. Impossível; o especialista alertou-me para os danos irreparáveis.
Agora quero experimentá-lo. Quero apaixonar-me. Quero amar, amar...
Calma, nada de emoções muito fortes que o pobre pode não resistir (eu resisto sempre). E por falar nisso vou ver o jogo da nossa selecção. No intervalo, voltarei para retocar o texto que ficou muito deslavado. Ou talvez não. Afinal só eu me irei ler porque hoje o país está parado, porque hoje a blogosfera está parada, porque hoje é dia de mundial!
*gastei o meu subsídio de férias nesta reparação. Espero colher os resultados.

terça-feira, 4 de julho de 2006

No Glory

Acendi todas as velas. O quarto absorvido por essa luz, por esse aroma. Gosto de me sentir assim depois do banho. Escolho uma música; faço-a tocar uma, duas, três vezes… e mais. Sempre o mesmo som. Com a de hoje recordo um filme visto há algum tempo.

Damien Rice
The Blower's Daughter

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
'Til I find somebody new
(sem exagero, ouço esta música ininterruptamente desde que aqui estou)

Gosto dos violinos. É ao som deles que vos anuncio que amanhã vos contarei uma novidade, já com o sótão arejado.
Agora vou ver uma das minhas séries preferidas.

Totobola 1x2

lá lá lá lá lálálá...
Ontem não vim aqui ao espaço dos instantes. Eu até por cá passei mas sem vontade de me ler ou de me escrever. Foi noite, às 23h 55m, de registar aquilo (o totobola ou euromilhões... sei lá que nome lhe dar). Entre tanto código e tiro no escuro chegou-me uma azia tal que quadriplicou o meu já habitual mau feitio.

Ainda recordo a primeira vez (sem candidaturas inteligentes para pessoas pouco inteligentes, que os tempos eram outros) em que preenchi o boletim com cruzes ou códigos ou códigos e cruzes que o efeito para o caso deve ser o mesmo: a sorte grande ou (quase sempre) a aproximação.
Foi na cidade dos doutores, juntinho ao Portugal dos Pequenitos.
Riram-se as funcionárias da secretaria com a minha pergunta.
- Por favor, têm por aí um mapa de Portugal que me possam emprestar?
- Um mapa?! Tem a certeza, dra.?!
- Sim, é só do que preciso neste momento.
- ???
- Por que razão se espantam?! A proximidade do mar não pode condicionar as minhas escolhas?
No mapa, risquei uma linha a verde (de esperança), assim numa espécie de fronteira entre o que fica perto e o que fica longe... do mar.
Pouco tempo mais tarde, percebi que, para quem está no início (eu sei que não posso dizer da carreira), esta história de manifestar as preferências é mais uma treta em todo o processo de colocação de professores.
E é por tudo isto que admiro os meus colegas que, ano após ano, vão conhecendo o país para aquém e para além da linha verde.
Boa sorte para todos!

domingo, 2 de julho de 2006

O que o futebol faz a uma mulher

- Vamos lá então!
- Para acompanhar os ditos quero uma bohemia.
- O quê?! Tu não gostas de cerveja.
- É verdade. Deixa lá, é para combinar com as riscas na cara, com as bandeiras tatuadas no corpo e com o cachecol em Julho... Futebolices.
- Finalmente! Não acredito que vieste comer (…)
- Ah pois! E olha que nem é mau de todo. Desde que não lhes veja os cornos.
- Da próxima vez ordeno que lhes sejam cortadas as hastes na cozinha.
- Excelente ideia!

Alguns (muitos) (…) mais tarde; (des)coberto o prazer ou talvez não.
- Isto é bom! Não foi fácil com o primeiro… esta coisa do paladar e tal. Manias do hábito, o hábito. Até já achei o jeito e nem preciso de o olhar de frente: aproximo o orifício dos lábios, sinto-lhe o sabor, detenho-me uns segundos, imóvel nesse (quase) prazer, e… isso, isso, é assim como se comesse esparguete como não se deve comer esparguete. Repara. Oh, este não quer sair. Está tímido. Envergonhei-o. É um (…) dos difíceis. Anda, não me deixes mal agora, que figura que eu estou a fazer, sai pá, mostra-te ao mundo, quer dizer, às minhas vísceras. Nada.
Voltei à técnica antiga (se é que há técnica naquilo). Estou certa de que foi vingança; não devia ter comido aqueles companheiros das corridas da infância. Alguém canta no sótão essa música de outros tempos.

Entretanto, na mesa ao lado, comiam-se as cascas (qual é mesmo o nome daquilo?) e tudo. Está bem, eu corrijo: comiam-se as casas e tudo. A sério!

Haverá outras formas de comemorar a passagem às meias finais da selecção portuguesa.
- Chega aí o pão para eu limpar o molho. A que é que isto sabe?

quinta-feira, 29 de junho de 2006

As pedrinhas que se atiram

Eu sabia que hoje não era um bom dia para andar por terras de Viriato...
Tudo corrido à pedrada! Mas... eu nem sou inspectora!
Quanto ao ambiente... eu cá separo o lixo.

Noites sem son(h)o

Quando o medo de sonhar se transformava em dor tu vinhas e eu descansava no teu abraço.
"Tens mãos de pétalas"- costumavas dizer.
"Sou rosa" - deixava escapar, com risinho maroto.
E sorrias e deixavas-te envolver pelo perfume doce dos espinhos.
Começavam assim as nossas noites.
Pintava-te e dizia-te de cor. Eras tela e poema.
Mas nunca soubeste poesia e perdi-te entre metáforas e hiperboles.
Não soubeste buscar(-me) a rima e cruzando-me, interpolada, fiquei só em verso solto.
Percebo agora, à distância de tantas aliterações, que foi um mero erro de métrica.

Apetece-me tanto usar as letrinhas! Isto acontece sempre que tenho de escrever relatórios e despachar outras burocracias... e a madrugada avança com vozes de pedra.
Vim assim de fugida... pelo prazer, para o prazer.

terça-feira, 27 de junho de 2006

O vento no meu cantinho

Trouxeram as bandeiras (Bandeira Azul e Bandeira Praia Acessível) mas esqueceram-se de levar a nortada!
Assim não consigo arejar o sótão.

domingo, 25 de junho de 2006

Ausência

Um comunicado que já deveria ter vindo para aqui no dia 21 de Junho para justificar a minha ausência de mim.

Com atraso...
a gerência deste espaço pede para avisar que estará temporariamente (ou definitivamente) ausente por motivos de obras, arrumações e limpezas no sótão.

Um pedido de compreensão a todos aqueles que aqui mergulham.
Obrigada!

terça-feira, 20 de junho de 2006

Obrigada

Obrigada, mãe!
Obrigada, pai!

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Presentes do dia

o de segunda-feira

À segunda é dia de carta e eu hoje tive o privilégio de receber uma
carta privada

Minha querida,
o mais preocupante com a experiência,

com a experiência que se acumula com a passagem dos anos,
é que se torna cada vez mais difícil
ver o mundo com originalidade,
isto é, como na primeira vez.
É este o esforço que devemos a nós mesmos
para que a experiência não se torne a corda
com que nos enforcamos, a corda
com que enforcamos os nossos sonhos
e a capacidade de mudar.
Luto cada vez mais ferozmente,
dia a dia, linha a linha,
para derrotar a experiência,
esse lixo que se deposita em nossos corações
e, se não o limparmos regularmente,
corremos o risco de os deixar inabitáveis.
Um coração inabitável é um coração a menos;
um coração a menos é matemática.
Limpa o teu coração da experiência acumulada,
deixa que ele se torne de novo habitável
e possas então receber alguém com quem abrir
as janelas e sentarem-se juntos os dois
a ver aquele doce barco de que me falas
para lá e para cá, para lá e para cá,
a dançar no salão da ria.
Um beijo que te faça sorrir,
e sem que manche esse mau feitio,
PJM

Quem disse que eu tinha perdido a capacidade de ser surpreendida?!
Há sempre alguém que, não me conhecendo, conhece tanto de mim!
Obrigada, PJM!

sábado, 17 de junho de 2006

Flor o quê?!

Alguém me arranja essa música do tenho tudo e tenho nada para ver se calo a minha pequena (e a madrinha dela também)?
Parece que o CD só estará à venda na segunda... até lá, vai-se cantarolando um "pa cima e pa baxo"... nos intervalos do hino "sôbe a terra e sôbe o mar".
E por falar n' A Portuguesa, parabéns à nossa selecção!

Presentes atrasados

o de 6ª feira

(_________________)*

Corre-te nas veias essa água
Do mar imenso
Banha os socalcos das tuas células
Como os socalcos da Terra
Que nas praias se ajoelha diante dele
Como que conversando com Deus
Ou consigo própria
Assim vais tua diante dele
Caminhando pelos teus pensamentos
Provocando-lhe calafrios
Lá bem nas profundezas do céu onde nasce
E todo ele tremendo
Vem em ondas ajoelhar-se perante ti
Beber força em ti
Oferecer em troca as suas ondas
Orações vibrantes
Que vibram desde lá
Onde o mar beija o horizonte
E acaricia a face do céu
F.F., Junho de 2006

O texto não foi escrito por mim mas para mim. (Mais um presente!)
Sou eu nele e ele sou eu.

*Não gostei do título, F.F.. Vou pensar noutro.
E se eu desse ao poema o nome que é meu?!


o de 5ª feira

"- Sabes... quando se está muito triste, muito triste, é bom ver o pôr do Sol..."
O Principezinho, de Saint-Exupéry (E que presente!)

Há dias em que me sinto com uma energia que se transforma em agitação, num querer fazer tudo e nada fazer. Sensação semelhante à pós-copos-de-vinho-tinto: tremuras nas extremidades e um não conseguir estar quieta. Se me conheço, sei que a melhor forma de ultrapassar a crise é esgotar toda a energia, pôr-me a mexer. Fiquei assim depois do jantar. (Calma, não houve vinho tinto; talvez efeito da ansiedade ou da tristeza.)
Dois quilómetros mais tarde estava junto ao mar e contemplava o pôr do sol. (Um dos mais belos dos últimos 27 anos!)
Tive-a assim só para mim beijada pelo azul da água e pelo cinzento do ar. Umas gotinhas atrevidas soltaram-se e, docemente, acariciaram-me a pele suada pelo esforço da caminhada. Aos poucos foram crescendo.
Absorvida no momento, anestesiada pelo cheiro da areia molhada, deixei-me ficar adormecida naquele instante.

Percebi que vou poder lavar o cabelo nos próximos tempos; as rastas resistiram à chuvada. E eu também.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

O presente

Olho pela janela; troveja; não chove, ainda.
Chove em mim. Arrefeceu, apesar da temperatura elevada. O frio da desilusão, da falta de respeito do ser humano, do vale tudo.
É assim o presente.
Há distância de uma chamada, a voz de um amigo (que inveja o mar):
-Não achas que estás a dar demasiado valor a isso?
-Eu sei que estou. Vou ficar bem. Amanhã, ao recordar o momento, irei sorrir.
Prometo.
Neste presente o teu presente (logo a seguir ao do Chico):


O Cofre dos Teus Segredos

Acariciando os meus pés na areia molhada,
os meus olhos caminham pela imensidão do mar,
à procura de águas calmas onde me sentar,
mas todo ele é revolta e saudade,
ciúme e tempestade.
Sentei-me aqui na areia
esperei que ele viesse até mim,
depois de acalmar, o mar.
Em esforço se impelia para mim
rebolando-se sobre si mesmo
mas algo mais forte o violentava
e, constrangido, recuava.
O meu olhar mudo
continuou a chamá-lo,
cerrei os meus olhos
como quem cerra os lábios para beber,
queria tragar toda a sua força,
saciar com ela a minha alma,
onde eu poderia mergulhar
e desvendar, quem sabe decifrar,
todos os segredos que confiaste ao mar.
Foi a promessa que ele te fez
que não o deixava vir até mim,
prometeu-te segredo eterno,
sacrificou a sua calma
para viver as tempestades por ti,
confiou-te a sua alma
para seres maior que ele!
F.F., 2005
Obrigada F.F.!

Há greve colegas! À praia!

Entre uma olhadela, não vá o aluno do fundo copiar, e a leitura de um inédito* acabadinho de chegar, vou pensando... Concluo, então, que estou doente dos olhos.
E em que penso eu? Que é em dias assim que me envergonho de pertencer à classe. Fora eu um futebolista em fim de carreira, um deputado, um músico, um poeta, um marinheiro, um pescador, uma varina... (Masculino ou feminino tanto faz para o caso.) Mas não, logo tinha de ser um destes, apesar de não fazer greve entre feriados.
Não entendem, caros colegas, que assim perdemos a razão e as razões que temos?
Aproveitem e reponham as aulas no Algarve** pois é por lá que param os vossos alunos, arrastados pelos nossos avaliadores (esses tais encarregados de educação). Afinal que mal virá se uma criancinha faltar 3 dias à escola se a sua professora faltou um mês inteirinho?! Os nossos jornalistas sabem inclinar o microfone na direcção certa. É esta a escola que temos e que não queremos. Eu, pelo menos, não quero, obrigada!

*Obrigada PJM. Estou devorando aquelas letrinhas que você me enviou! (PB, né?)
Ontem foi mais um dia especial! Fico feliz quando conheço um escritor a sério... não desses que escrevem mas desses que se escrevem.
Vou à Navio de Espelhos. Até já.

**Castigo divino: vento forte, chuva e trovoada. Tomem!

terça-feira, 13 de junho de 2006

Quase quase

Faltam 7 dias!
Estou para ver se aquele informador dos pedaços de mim passa a página e muda o 7. Esse que teima em dizer que eu sou "gemini" e "horse" como se isso interessasse...
Acho que está na altura de começar a receber os presentes.
Hoje recebo o do Chico que aqui vos deixo:

Maninha
Se lembra da fogueira
Se lembra dos balões
Se lembra dos luares dos sertões
A roupa no varal
Feriado nacional
E as estrelas salpicadas nas canções
Se lembra quando toda modinha
Falava de amor
(...)
Se lembra da jaqueira
A fruta no capim
O sonho que você contou pra mim
(...)
Se lembra do jardim, ó maninha
Coberto de flor
Pois hoje só dá erva daninha
(...)
Se lembra do futuro
Que a gente combinou
Eu era tão crinça e ainda sou
Querendo acreditar
Que o dia vai raiar ...
Chico Buarque, 1977
(quase, quase da minha idade)

Olhó manjerico!

Ou eu me engano muito ou este ano vou ficar sem manjerico...
(Bem, para já fiquei sem luz por causa da trovoada que decidiu fazer-nos uma visita! Abençoado portátil que, no meio desta escuridão que se apoderou do meu quarto, me permite espreitar o mundo e continuar a escrever... Não sei que mundo; não sei que letras.)

segunda-feira, 12 de junho de 2006

O regresso da águia

Parece que não fui a única a adormecer ontem...
Estupidamente ainda há em mim uma saudade; ainda reconheço o teu cheiro na minha pele; ainda sinto um desassossego na alma quando te falo, quando te sinto mais perto e deixo de ser eu a controlar estes dedos que aqui correm céleres.
Tenho tentado, acredita. Fujo de ti porque te sei a fugir de mim. E neste brincar de gato e de rato, neste voo de águia e de gaivota, vejo perder-se algo que não adivinho o que seja.
O que sinto? O que quero? O que penso?
Tu e essa tua insistência nas perguntas difíceis.
Não quero sentir, mas quando sinto quero... e só às vezes penso.
Acho que afinal fugimos ambos do mesmo.
Descobri agora que não perdi a capacidade de chorar.

À bola de novo

Durante o Euro 2004, vi os jogos da nossa selecção em espaços com écrans gigantes, bebidas, muita cor e animação. Festejava golos, abraçava amigos, beijava-te. No meio de multidões, poucas foram as jogadas que consegui acompanhar. Por mais que me esticasse... lá contemplava umas cabecitas que corriam de um lado para o outro, entre um cachecol e braços erguidos para festejar por antecipação um golo que não chegava a ser.
Valia pela companhia, pelos jantares, pela green que se bebia fresquinha.
Valia pelo teu abraço mesmo depois da derrota.

Ontem descobri as vantagens de ficar no sofá. Posso adormecer na segunda parte. E adormeci.
(A)final era só um jogo entre países irmãos.
Aguardem o Portugal-Angola (na final).
Evocar aqui o Euro 2004 não me parece um bom prognóstico.

a voz: - Cala-te! Tu não percebes nada de futebol.
- Sim, mas a Grécia...

domingo, 11 de junho de 2006

Força Portugal!

A camisola está vestida; as cores da bandeira pintadas no rosto; o cachecol esticado aguardando o hino (depressa que já tenho os braços a doer); um nervoso miudinho transformado num sorriso; os sofás ocupados; o comando na mão do pai.


- Liga lá, está quase a começar!
- Queres uma cerveja?
- Não. Quero um gelado.
Um pouco desencantada, também, com os meninos da bola... resta-me torcer. Força Portugal!