Resta-me um mês para fazer o que gosto. Resta-me saborear cada instante como o último.
Daqui a 61 dias estarei desempregada. Sairei de cabeça erguida, como diz a mãe.
E conhecedora do final do filme, à faina me entrego com o entusiasmo e dedicação (afecto, cientificidade, blá, blá, blá) das primeiras horas do dia em que aqui cheguei e menina doutora me quiseram.
Sensação de tarefa cumprida. Fui a última a abandonar o barco e só o fiz depois de o saber ancorado.
a voz: - ainda na escola?
- tenho de acabar isto. Não me distraias.
a voz: - fazes na 4ª.
- nem penses! Quero deixar a minha parte corrigida.
a voz: - olha que ninguém te valoriza... Além disso, vais para o olho da rua não tarda.
- merda, tens razão! Mas não me lembres, por favor! Deixa-me viver a ilusão; sinto que assim faço o que deve ser feito.
a voz: - então e a outra vigilante falta assim sem justificação?
- não sabia; não deu pela convocatória.
a voz: - ah, bom! E tu é que vais embora...
- irritas-me com essa mania de me enfiares pelos olhos o que não quero ver.
a voz: - e a outra que tem contrato e nem o mestrado frequenta?!
- na área do meu doutoramento... Não digas mais que me apetece gritar uma asneira.
a voz: - sim, estás f.....
Ou talvez não. Poderá ser "o primeiro dia (do resto) da minha vida"!